

Blog que terá no seu conteúdo, principalmente poemas e algumas pinturas de paisagens que tornarão a sua visualização mais atraente e mostrará do mesmo autor duas facetas que se completam, sem esquecer outras publicações de carácter social e não só...
Num lago espelhado te mirei com os flavos cabelos ao vento, num oásis perdida te sonhei na delícia da calma do momento. Numa casa de cristal te imaginei cercada de sedução e ternura, meu olhar para o teu levantei e um rubor te cobriu de doçura. Num deserto sozinha te encontrei em meditação perene e ausente, no silêncio teu soluço escutei numa prece em cântico ardente. Num sonho nossas vidas juntei com anéis ligados pelo amor, numa promessa amar-te jurei nos momentos de alegria e dor. José Rafael In "Hino à mulher" |
Na planície semi-deserta e quente onde a dureza é pão de cada dia, quanta angústia se expressa e sente nos tristes cantes cheios de melodia. O sol aquece a charneca despida, torrando a terra e tisnando o rosto, verga-se a razão ao peso da vida na ceifa diária d'um pão sem gosto. Garaganta seca e olhos lacrimejantes regam a terra de ardentes fornalhas, pela fadiga vergado e suores constantes, sonha venturas, vencendo batalhas. As palhas ceifa do trigo alourado, enchendo de fardos o calcinado chão, fica a charneca com um tom torrado, despida de trigo e envolta em solidão. Exausto e cansado pela dura labuta, olha com saudade a planície imensa o homem que não verga e insiste na luta de desbravar a charneca agreste e extensa. |
Passa por mim a brisa num afago de recordações, rouba-me os sonhos que me enchem a alma e tudo se esvazia, pois, tudo o que toco é miragem fugidia e aparente ilusão de um viver que corre no deslizar do tempo que se escoa e morre numa eterna desilusão. José Rafael |
Fecham-se na noite fria rosas imaculadas e singelas, perdem no murcho a alegria mas não deixam de ser belas. O orvalho do nocturno relento orvalhadas deixa as flores que afagadas pelo suave vento cintilam com variegadas cores. Poisa o luar na noite estrelada sobre jardim de flores mimosas, seu brilho expande até à alvorada e aviva o choro das lindas rosas. Amanhece o dia em cantante aurora e nos cerros desponta o sol a brilhar, acorda a Natureza campos fora e as rosas animam e param de chorar. |
Que boca a minha boca beijou, que corpo minhas mãos tocaram, que mágoa no teu coração se alojou que sem brilho teus olhos ficaram! Que paixão nos uniu e morreu, que lança nosso amor matou, que muro entre nós se ergueu que p'ra sempre as almas separou! Que cruz carregámos toda a vida que aos ombros transpotámos vergados, que caminho ou rota desconhecida que nos arrastou para rumos errados! Que encontraremos no final da estrada que percorremos até à morte certa, que haverá para lá desta caminhada que nos conduzirá a parte incerta! |
Sinfonia de labaredas lambe os altos pinheiros e engole o brilho esmeraldino, transformando-o em braseiros. No negrume das serras arde o corpo e a alma num altar de cinzas deixadas pelas chamas, onde o vento sussurra por entre nus penedos. Soluça o pinhal requiems com brados cheios de dor, cai nas chamas a vida e afunda nos escombros consumida pelo horror. Secam nas serras as fontes que alimentavam ribeiros, morre a floresta queimada no fogo ardente perdida em dias de angústia e cinza pelos valados e outeiros. José Rafael |
Ao ver-me na solidão e desolado com a tristeza, percebi que tua ausência se perdera na distância bem longe do meu olhar. Lavrava em mim a amargura de não amar tua beleza, turvaram os meus olhos e a minha boca emudecida contagiada pela incerteza deixou a palavra adormecida no limiar da minha razão. Se o silêncio ateia a dor do distante coração que a mágoa dura e fria arda na chama amarga do fel e queime toda a minha solidão e todo o meu negrume de agonia, inundando minha vida de outro amor e outra paixão. |
Inunda meus sonhos de carícias e poisa em meus lábios ardentes o beijo com que te delicias no ardor que tu própria sentes. Dorme na minha imaginação um amor triste e esquecido, amarrado por laços à solidão à espera d'outro amor perdido. Abre as portas da tua mansão e deixa que ela sirva de abrigo a um amor que no teu coração encontre finalmente um amigo. Invoca amor minha boca sedenta da tua boca e beijos que presa a uma paixão louca implora penitentes desejos. |